domingo, 7 de junho de 2009

Eras a minha orientação


Viraste o meu mundo de pernas para o ar,


Fugiste, não me deixando qualquer indicação…


Não sei para onde vou…

Não sei onde quero ir…


Deixaste-me …


Perdida, dorida e sem forças…


“quando estás a abrir a porta , já elas estão a querer sair”

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dentro de 4 paredes…

4 de Junho de 2009

Sim, é esta a definição de um compartimento normal como um quarto. Sempre o soube, mas hoje tive a prova disso. Sozinha no nada deste quarto, serviu para muita coisa, inclusive contar o numero de paredes … Que merda de paredes!!! São vocês que me fecham aqui dentro , quando o dia lá fora é belo. Falo sozinha e vocês não me respondem… Porque? Olho ao meu redor e nada vejo… as paredes estão pretas, e as fotografias desapareceram… que se passa? tento gritar, e a minha voz tende a desvanecer … mas porque?? Porque não me ouvem? São elas, eu sei! As terríveis paredes!

Grito, choro, corro, mas a área deste quarto não chega para me sentir liberta. O pouco ar que circula neste cúbico já não é o suficiente. Estou a sufocar… O oxigénio que entra , tende a sair. Como é irónico o facto de até o próprio oxigénio não querer circular no interior do meu corpo, quando pode estar cá fora. Compreendo-o, e por isso, não o detesto como detesto estas paredes. Tal como eu, quer sentir-se livre…

Estou a sufocar e os meus pulmões dizem-me que já não sou capaz de dizer mais do que 3 palavras. Desisto e como tal digo:

“Que merda de paredes!”

Nesta noite até o próprio espelho negava reflectir a minha imagem…

Boa viagem!

Estava na ultima carruagem do regional para Coimbra. Já tinha feito dezenas e dezenas de vezes esta viagem, mas hoje foi diferente. Não sei foi curiosidade ou a falta de entretenimento que me fez olhar para tudo e todos. Cada pessoa apresentava um olhar e um sorriso diferente. Até mesmo a disposição das pernas mudava de pessoa para pessoa. Foi ai que vivi uma grande variedade de vidas alheias, e senti algo diferente em todas elas.

Vi olhares alegres, felizes, acompanhados de gargalhadas e beijos roubados. Nesse momento vivi a felicidade de muitos casais que se beijavam, sem dar qualquer importância aos juízos de valor que poderiam fazer em relação a eles. Viviam um amor a dois, como que se todo o resto da carruagem estivesse vazia. Admirei-os. Para o amor , não é necessário a presença de mais ninguém a não ser as duas pessoas em questão. Apesar de algumas carícias mais arrojadas, tudo aquilo era normal. Fazia parte da realidade em que vivíamos.

Do outro lado, via um rapaz de olhos super cerrados, ouvindo musica, que até no meu lugar ouvia na perfeição. Os olhos fechados e o bater do pé, em cada batida mais forte da musica, fez me acreditar que ele estivesse a viver intensamente aquela musica.

Por fim… o casal de “velhinhos” mesmo à minha frente. Rondavam os 70, 75 anos. De Mãos dadas, olhavam-se constantemente, e afirmo… era um olhar ternurento. Apesar de todos aqueles anos que acredito que já estivessem casados, o amor, carinho e atenção permaneceu. A palavra “querido” continuava a fazer parte do vocabulário de cada um . Independentemente de ser amor, ou apenas “acomodação” de cada um deles, o ar de felicidade permanecia com o passar dos anos. As rugas de ambos, demonstravam os altos e baixos que teriam passado, mas pelo pouco que vi, apercebi-me aquele amor tinha estado sempre presente.

Apesar de amor cansado, continuavam felizes, e esse é o único objectivo do amor. Caso contrario o melhor é por um fim, e esperar pelo próximo…


Cheguei… De volta a Coimbra !!!


Para quem ainda vai, Boa viagem!!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Noite dura


Eram 15:32 quando acordei. O meu corpo transpirava, colando-se ao meu pijama de ursinhos. O meu cabelo oleoso encontrava-se molhado, como se tivesse acordado de uma noite de verão intenso, em que Cada fio negro do meu cabelo apresentava vida própria, fugindo uns dos outros, e como resultado, apresentava um cabelo rebelde, com uma ponta para cada lado. O meu negro cabelo, combinava com os meus olhos… (Não, não era a íris que era negra, mas sim todo o redor do meu olho - Ainda tinha a “tinta” da noite anterior, que possivelmente, devido ao facto de ter sido agitava , me impossibilitou de lavar a cara , antes de me deitar). A minha roupa sobre a cama, e alguma ainda caída pelo chão, fez-me pensar, como teria sido a chegada a casa. Pensei.. pensei, mas nada recordei. A minha roupa transportava um odor intenso e desagradável a tabaco… O meu hálito a álcool demonstrava como teria sido agitada aquela noite. Dirigi-me à casa de banho, e assim que me olhei ao espelho, não vi o cabelo oleoso, nem os meus olhos esbugalhados libertando lágrimas escuras, provenientes de toda aquela maquilhagem. Vi um corte na testa, que apesar de pequeno, libertava gotas de sangue em direcção ao meu olho. Assustei-me ! não pela gravidade do corte, porque era mínima, mas sim pela razão pela qual eu o apresentaria. De volta a cama reflecti em tudo isto. Fez me pensar em muita coisa e Alguma lição iria tirar desta situação. É impressionante como fazemos as maiores asneiras da nossa vida, bebendo até cair de podres. O que acontece ou não , fica por vezes no segredo dos deuses, e isso é o nosso pior castigo. A ansiedade em lembrar-me da noite anterior, fazia-me acreditar que a próxima seria diferente. Por vezes, são nessas noites que fazemos as piores asneiras da nossa vida. O meu coração batia cada vez mais. Sentia-me ansiosa. O meu corpo tremia como se não houvesse amanha. MAS QUE SE PASSA??? Toca o telemóvel e recebo uma chamada da Inês . Atendo , e do outro lado ouço : “ Ana , ele não resistiu. Os médicos disseram que já não havia nada a fazer ”… de repente tudo bateu certo. Após ter terminado a chamada, sem ter dito nenhuma palavra, lembrei me de tudo! O João deixou-me em casa, e segundo a Inês, enquanto se dirigia para casa, teve um acidente grave (ele não teria parado nos semáforos) … Conclusão- um grupo de jovens teria saído e tal como acontece com a maioria de todos nós, não tiveram cuidado com a quantidade de álcool ingerido, e como tal, os acidentes não acontecem só aos outros.

Ana

Escrito por: Bárbara Rocha