segunda-feira, 19 de julho de 2010

Beleza invulgar cheia de defeitos vulgarmente observáveis

Doce olhar repleto de amargos contrastes dourados, visíveis num brilhante fundo negro que enfeitiça o meu gosto. Transbordas um nada encantador onde nele me revejo. Amarguras-me o dia com toda a tua arrogância a cair para o desvanecida, mascarando todo o meu corpo enferrujado, e que tu teimas em agilizar. De tão bom, te detesto.
Destesto-te a ti e ao teu estúpido sentido de humor. Consideras-te grande, mais o maior em ti é o teu próprio numero de calçado. Arrastas-te com as tuas inseguranças parvas de menino adulto com tendência a debilidade mental . Teu corpo pede descanso, mas o teu estúpido ego não o pára. Corres em torno de ti próprio como se não te conhecesses o suficiente. Como se procurasses algo. Expliquei-te uma série de vezes que o teu sistemático trajecto é demasiado curto para alguém tão grande, ou que pelo menos o considera. Uma vez disse-o, teve de ser ( saiu-me a uma velocidade exorbitante, ou pelo menos, superior à dos teus passos) “pára! Não vês que estás à dias no mesmo sitio?”

Pahh (sonoro proveniente do impacto do teu corpo com a realidade inevitável) – levaste um estalo tão grande , que de grande te tornaste pequeno e de pequeno passaste a humilde.
Agora descansa amor! Andas à dias a correr!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

PS:

Eu fujo! Juro que fujo! Mas eles correm tão rápido. Seguem-me a uma velocidade exorbitante,Possuindo-me e usando o meu corpo como um simples vector , para que possa espelhá-los.Afogo o meu ser nesse mar negro que um dia provocaste e fujo dessa praia cinzenta, cheia de nadas espalhados, como simples rochedos onde te deitas e esperas pela radiação quente e direccionada do sol.

A tempestade que trouxeste, ondulou o meu corpo como um raio amarelo que ilumina o céu negro de uma noite quente, mas que provoca inúmeras estragos. Foi isso que fizeste! Mudaste o meu dia, voltaste-o de pernas para o ar, e fugiste não deixando explicações.Tudo por causa deles... eles, os sentimentos!

Maldita a hora em que apareceste e deixaste-me sem pedir autorização.


Ps: Merda para o dia que me fez sorrir, e me provocou lágrimas na hora do adeus!

sábado, 19 de junho de 2010

Hoje não! Por favor não!

Pedi-te por favor, e mesmo assim fizeste-o! O confronto com a negação tornou-me friável, apta a romper a minha pele, ao fim de um grito arrepiante e “desvanecedor”, até mesmo do outro lado do mundo! A minha pele morena rasgava-se a cada palavra fria que ias dizendo. A tua rejeição tornou-se a minha maior dor, Desprezo que me intrigava e que hoje percebi o porquê. Grito-te “porque hoje?”: grito suave de tão potente e sincero que era. Parece uma contradição, mas não! És o meu maior pesadelo, e o meu melhor segredo. Intrigas-me com a tua frieza e capacidade de ver o mundo dessa forma. Qual ? essa… essa mesmo! Essa de te afastares e ver o dia a passar, enquanto permaneces escondido atrás dessa velha árvore que há muito te esconde. Só eu sei onde fica! Só eu sei onde permanece! Só eu conheço esse cheiro a resina que trazes contigo, nessa camisa branca, suja de natureza e embriagada desse rio que te circundava. A ti! A essa “vidinha” horripilante.

Chega! Por mim… HOJE chega!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Saudade


Sinto falta do dia em que apareceste e permaneceste perto de mim. Sensação estranha e arrepiante que me abria os poros,e penetrando dentro de mim todos os miasmas malignos, me fazias sorrir.

O odor do teu carinho envenenou-me, provocando-me este mal estar inevitável e que hoje me livro. Contrariamente ao que andava à procura, encontrei-te. Não fazia questão.

Eras um pequeno pássaro que me cantava aos ouvidos, e me fazia suspirar pelo dia de Verão que tanto admiravas, e eu, que tão diferente de ti, pedia sombra. Contradigo-me ? Eu sei! Foi assim desde o primeiro segundo.

A minha mão tocava na tua pele macia, e expelia dor constrastante à sensação de paz que me provocavas.

Vais-me fazer recordar dias de Primavera laranja esverdeados! Como não acabam… também não se esquecem. Tal como tu!


Saudade é apenas aquilo que fica. Aliás aquilo que sobra.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Abandonaste a historia que um dia eu escrevi


Tornas cada palavra um borrão sem significado e sem sotaque possível. Expressão desalmada que me acalmava durante a noite, e me acariciava até adormecer. Foste embora e deixaste-me só. No andar de cima, não te ouço; na janela não te vejo, e até a passear , não te encontro. Evaporaste?


Sai dessa bola insuflável que te protege e só a mim me magoa. Aparece e acena-me como se não me visses desde a última vez! Parece que me repito, mas apenas demonstro a dor que se repete e que então permanece.
Beleza discreta com pormeno
res acentuados.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amargo do doce que se tornou

Transbordava açúcar por todos os poros. Era um bolo de chocolate que um dia cobrimos e em que colocámos pedaços de noz , por ti partida. Foi assim que tudo começou. Uma relação doce e terna que de tão calorífica, se tornou amarga. Queríamos tanto que acabamos por nos lambuzar do algo que um dia nos faria mal. Todos me avisavam… “olha que é bom, mas far-te-á mal!” Não ouvia. Fazia de conta que não se dirigiam a mim e entre cada garfada açucarada, ria, deixando-me levar pelo doce e prazeroso momento que um dia me dediquei a ter.

É esse o problema de muitos de nós! Deixamo-nos levar pela doçura de um segundo,com o fim de obtermos um futuro bem mais doce que o passado , que sempre comparamos ao amargo.

Posso desde já comparar a um problema real a que estamos habituados … “ obesidade”e mostrar que também isto- vida adocicada, se torna um vicio e nos leva a abdicar de momentos amargos, de tão estáveis que se tornam.


(Depois de ler o que escrevi… apercebi-me que não retratava não só de obesidade, como de coisa alguma… Estranho!)

PS: Eu gosto do amargo!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hoje foi diferente!

Hoje, na minha terceira semana de estágio num dos muitos matadouros de Portugal, apercebi-me do crime que cometemos todos os dias, e de sorriso na cara! Eram 7 da manha, quando andava num dos passadiços “aéreos” de um dos compartimentos sanitários, analisando a olho nú o comportamento animal, a fim de me aperceber do possível ou não,bem estar animal . Hoje custou-me! As vacas estavam agitadas, nervosas, e aquele barulho por elas produzido, de forma ensurdecedora, entranhava-se , provocando uma dor inevitável. Os bovinos sempre foram animais fortes, e de porte intimidador, mas hoje reparei numa das características mais meigas que um animal tão assustador, pode projectar. O seu olhar! Olhos negros, e esbugalhados, projectados para o exterior, como se quisessem fugir da fronte daquele animal. Transbordavam medo! Estavam num meio diferente do habitual, juntamente como muitos mais dessa mesma espécie ( Nem imagino o que lhes vai na cabeça num desses momentos tão assustadores). Se Todos nós temos medo do “novo”, o que pensará uma vaca inofensiva, num dos muitos corredores escuros, húmidos e frios, que a levam até à morte?
A minha primeira citação foi: “coitadinhos” Impressionante como eu , e muitos mais, pensamos assim, mas quando a vimos no prato, em forma de “não bicho”, sorrimos entre cada garfada.

Ps: Ainda ouço o mugir daquela vaca bege, linda, que me apresentaram in vivo, e minutos depois, me despedi, enquanto inspeccionava as suas vísceras.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amor até a morte!

- Cabrão! Sim é o que ele é- dizia Miriam com ar de revolta e enxugando as lágrimas, antes mesmo que alguém se apercebesse do seu estado.

- Calma Miriam! Vai tudo correr bem! E como tens tanta certeza disso? – perguntava Ana, como se não houvesse provas mais do que evidentes. A verdade é que ela mesma, sempre suspeitara, mas enfim… queria ajudar a amiga, e evitar que ela sofresse,como sofrera naquele momento. Todos sabiam mas para evitar aquele sofrimento imediato, preferiam adiar um sofrimento inevitável.

- claro que sim! Mas ainda duvidas? Merda Ana! Chega! Ele é apenas mais um! Igual a tantos outros. E quem me garante que já não me mentia, mesmo antes de nos casarmos?

- Não o vais perdoar?- perguntava Ana, com cara de arrependido pela pergunta que fizera, antes mesmo de a terminar.

- Estás a brincar? Ele anda com uma cabra qualquer e achas que merece uma segunda hipótese? Tem dó!

- E que lhe vais dizer?- dizia Ana.

Ana sempre fora uma amiga excepcional, e na maioria das vezes, alguém um pouco humilde, esquecendo não só o seu talento, como a sua própria vida! Preocupava-se em demasia com o seu redor, esquecendo o mundo interior em que vivia, e que lhe dava alguns problemas. A verdade é que apresentava um sorriso meigo disponível a qualquer segundo para Miriam.

- Ana, acorda! Aquele homem, nem a minha saliva merece. Puta que o pariu.

Esta é apenas mais uma das realidades em que vivemos e que infelizmente nos força a saber lidar com ela. O humano para além de racional(que o torna diferente dos comuns animais), também se assemelha a eles, pelo simples facto de agir por impulsos. O nosso próprio instinto leva-nos à maioria das vezes a atitudes menos próprias, e que magoam os que mais amamos.

Curiosidade: Os pinguins são uma das poucas espécies “monógamas”. Demoram anos e anos até encontrarem uma “pinguina” que lhes aqueça o coração.Mas quando surgem... procuram a rocha mais bonita que encontrarem, e oferecem. Segue-se um ruído barulhento, mas comovente, e aí… já nada há a fazer! Amor até a morte!

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Beautiful Lie

Vagueio sobre uma estrada de alcatrão, onde protegida pela sombra de árvores, de formas assustadoras, riu-me do que vivo, e vivi até ao dia de hoje.
Dou por mim , chorando de desprezo por mim própria , demonstrando uma certa angustia da mentira em que vivo. Mentira! Bonita , mas mentira.
Podia correr, ou fugir para longe, mas esta estrada, sem desvios possíveis, leva-me em direcção ao habitual, não podendo evitar o sentido que dei à vida. Significado inexplicável, e sem definição possível.
As lágrimas escorrem-me pelo rosto, em sentido ascendente, e tudo porque houve o dia em que virei o meu pequeno mundo solitário, de pernas para o ar. De inicio estranhava, mas hoje, hoje riu do que penetrei na minha existência.
. Que merda de vida, sem sentimentos. Quantas vez grito enraivecida de sentir tudo, e hoje, que nada sinto, choro. Sinto-me vazia,e portanto, sem noção do que é realmente viver. Tresloucada, sinto que tudo fala , dirigindo-me cada palavra, e vendo apenas o movimento dos lábios… Nada ouço! Não seria para mim? Então porque me olham?
Para! Chega!- dizia eu. Não me ouviam, ou fingindo não ouvir,continuavam e cada vez com maior intensidade. Aquele olhar fúnebre assustava-me.
O diferente sempre foi motivo para me assustar, daí ainda hoje, não perceber o porque da tua entrada nesta espécie de vida, sem alma, e rotineira. Viras tudo, não arrumando no final. Já que surgiste podias levar tudo até ao fim, e deixar “igual” … Palavras sem sentido, e sem um inicio e fim presente. Sinto uma súbita reviravolta, que me entrelaça no meu próprio corpo, e me torna contrariamente ao habitual, alguém impulsivo.
Podias partir e deixar-me só!

Cobarde e sem expressão, foi assim em que me tornei.
Ouço uma musica enquanto escrevo, e deparo-me com o nome do álbum… “A Beautiful Lie”

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Derrubaste tudo que plantei

Chegaste e quebraste toda a paz, e estabilidade que um dia construira. A forma súbita com que penetras no meu caminho, tornou-te o pior dos meus pesadelos.

Nego esta duvida que me intriga a cada segundo, e corro para os teus braços, onde me enforco de paz e desejo. Hoje,primeiro dia de desmame, fazes-me chorar de angustia, evitando pensar, que a primeira possa ter sido a ultima.

Falo sem pensar, e ajo de forma pouco pensada, procurando de forma rebuscada todo o sentimento que em ti procurei. Podia ser o nosso segredo, e ter-te-ia num estalar de dedos. És o meu maior perigo. O meu maior desejo.

Negas-me a existência de um habito, por ti imposto. Porquê? Pergunto-te inúmeras vezes, e respondes-me da mesma forma arrogante, e certa, que um dia me convenceu. Porque sim! Porque queres!

Fazes-me mal , do bem que me fazes!

Revolucionaste o meio em que presenciava toda a paz por mim ansiada. Digo-te adeus, e simultaneamente ao teu ponto parágrafo…regresso. Este separar de segundos, leva-me a um ardor repugnante e que ainda hoje me magoa.

Prurido, ou simplesmente mágoa… foi com isto que me deixaste… Cansada, perdida e sem forças. Derruba-me! À vontade…

Ao menos, tenho-te !